Folhas publicadas

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Que eu seja sensível à vida.

Sou solitária no meu mundo de evasão. Poemas que me escrevem criam, pedem, dizem que serei feliz seguindo assim - não sendo só, mais sensível. 
Mais sensível entre vidas congeladas. Para que quem sabe essa barreira caia, despedace, seque, e eu cresça.

Quando você está só, consegue se ouvir mais e percebe que os outros não te ouvem nem ouvem a eles próprios, o que é pior. Para tentar melhorar essa condição a gente cria aventuras, renasce e morre nelas quando caímos dessa nuvem utópica cheia de luxúria e amor que paira as cabeças de todos nós todos os dias. Cada qual com a sua nuvem.

Quando aquilo que nos faz determinar um sentido para nossa existência se elege "o melhor", estamos vivendo em um paraíso dionisíaco. Isso só acontece quando não se dorme acordado nem dormindo, mas sim, sentindo conscientemente os sentidos não-programados das luzes que piscam nos olhos das pessoas que, até então, não nos tinham revelado coisa alguma.


"Em volta, vidas seguem secas. É natural achar a minha vezes melhor, vezes pior. Na maior parte dessas vezes, melhor."

Frase de quem não sabia que o problema estava em achar que sentia tudo ou um bocado de coisas... Na verdade, esse alguém se conhece. Pouco, mas conhece. Porém, não sabe dos outros, do nada. Na-da.

Essas luzes não foram percebidas porque faltou sentidos bons, faltou linha. Curiosidade, não tinha. Narciso estava lá. Dionísio, pela metade ou quase nada. Nem uma uva.

Tolice não se achar. Perdida sempre estive. Agora ainda mais. Na ânsia de ver os outros, esqueci de olhar pra cá; pra realidade que me move, de juntar meu paraíso com o fardo real e real (irreal-?) e estar nos dois mundos: o de gente que é pensante e o de gente que é sentida.



Que eu seja sensível à vida.